Sejam bem vindos ao After Brasil | A sua primeira , maior e melhor fonte sobre os livros da escritora Anna Todd no Brasil
Colleen Hoover entrevista Anna Todd para o lançamento de “Stars”
POSTADO POR Douglas Vasquez EM 04.Oct ARQUIVADO EM:Entrevistas Stars

Anna Todd e Colleen Hoover juntam-se para conversar sobre o novo romance de Anna, The Brightest Stars. O suspense/romance de Colleen, All Your Perfects, saiu no verão passado.

Colleen: Acabei de terminar Stars e amei. Qual foi a inspiração para a história?

Anna: Quando estava escrevendo As Garotas Spring, eu ficava tentando pensar no que escrever em seguida. Eu não conseguia parar de pensar sobre o que eu gostaria de escrever. Eu tenho tantas histórias que ficam guardadas enquanto escrevo alguma outra coisa.

Fiquei pensando nesse soldado, quieto, um jovem com muitos segredos dentro dele e apenas grudou em mim. Eu não sabia quem ele era ou o porque ele era daquele jeito, mas eu mal podia esperar para descobrir. Eu me inspirei muito em minha vida como esposa de militar e queria escrever algo que eu fosse muito apaixonada e poderia me identificar.

Acho que posso dizer que eu me inspirei em minha vida, na vida das pessoas ao meu redor e em querer crescer, mas sendo justa com essa parte da minha vida.

C: Você mencionou que Stars é o seu livro mais pessoal até agora. Pode nos dizer o motivo?

A: Porque eu fui esposa de um militar e por isso existem algumas coisas nesse livro que aconteceram em minha vida. Eu realmente tive pessoas vindo até o meu gramado medir a grama com uma régua (você entende mais sobre isso no livro). Mas eu sei que muitas pessoas virão me perguntar se essa história foi a minha vida. Acho que o que foi mais pessoal pra mim foi sentir todas as emoções e me lembrar de quando meu marido tinha ido para a guerra e como ele mudou todas as vezes que voltou pra casa. Ele foi convocado sete dias depois que nos casamos, eu tinha apenas 18 anos.

Eu escrevi sobre as minhas experiências e a da pessoas ao meu redor. É um livro que não foi fácil de ser escrito, mas acho que pra mim — esse é o essencial. Eu tenho tanto respeito e admiração com os militares e as famílias de militares. Acho que pra mim foi no sentido de abrir antigas feridas, mas também honrar as memórias.

É fácil, mas também muito difícil você escrever sobre experiências pessoais, especialmente no livro seguinte, onde houve momentos em que eu queria fugir correndo dessa história por causa da maneira com que fez eu me sentir, mas Karina e Kael não deixaram a minha alma. E a história deles merece ser contada.

C: Suas histórias geralmente contém personagens extremamente cheios de defeitos e problemas sociais. De onde vêm essa inspiração?

A: Tenho muita sorte de ter amigos maravilhosos ao meu lado para me inspirarem todos os dias. Eu me atraio por pessoas que são como eu — que experienciaram altos e baixos na vida — mas chegaram ao outro lado. Eles me ensinam sobre redenção e seguir o seu caminho, não importa como.

O passado não te define, mas claro, ele molda você. Acho que personagens com defeitos são importantes, porque ninguém é perfeito. Não é fácil admitir que você tem problemas, mas é libertador. Acho que meus personagens precisam encontrar essa força e seguir seus caminhos para a redenção, esta é a parte que os torna reais.

E quanto aos problemas sociais — sou muito clara quando ao que acredito. Qual é aquele ditado antigo? “Você tem que defender alguma coisa ou cairá por tudo”. Acho que as pessoa precisam enxergar que você pode apoiar suas crenças de forma positiva. Também faz com que as pessoas se sintam menos sozinhas. Nunca vou me acovardar dos problemas sociais nos meus livros ou em minha vida diária.

C: Nós duas somos conhecidas por fazermos nossos leitores chorarem e os personagens correrem atrás de seus finais felizes. Alerta de spoiler: Stars é o primeiro livro de uma série completamente nova, então a minha pergunta é POR QUE VOCÊ QUIS NOS TORTURAR DESSE JEITO? Quantos livros podemos esperar? Espera. Foram duas perguntas.

A: Eu amo torturar as pessoas! (risos) Angústia é o meu lema e eu amo, amo, amo escrever sobre isso. Pra mim, é importante em uma história porque a vida é cheia de drama. Angústia é parte do que nos torna reais. E se você se sentiu torturada pelo primeiro livro, apenas espere o segundo.

Agora — acho que três livros, mas nunca se sabe. Eu sinto que tem mais dessa história surgindo em minha mente.

C: O que inspira você?

A: Muitas coisas; De música à livros e filmes. Sério, qualquer forma de contar histórias. Eu me inspiro na minha vida, nas pessoas ao meu redor. Acho que consigo encontrar inspiração em qualquer coisa, na verdade.

C: Com qual personagem você se identifica mais: Karina ou Kael?

A: Posso dizer os dois? Acho que um pouco de cada. Eu quero agradar as pessoas e crescer muito rápido, do mesmo jeito que a Karina. Eu também pareço com o Kael no humor e no jeito que ele mantém as coisas pra ele mesmo quando as estão o incomodando. Acho que estou cada vez menos parecida com ele nesse sentido, o que é muito bom.

C: Se você tivesse que escolher apenas um livro pra ler pelo resto de sua vida, qual seria?

A: O Cavaleiro de Bronze. Calma… Morro dos Ventos Uivantes… Ah! É tão difícil.

C: Este é seu décimo livro. Como você cresceu como escritora? As coisas são mais fáceis no livro 10 ou as palavras são mais difíceis?

A: Definitivamente mais difíceis de escrever. Mas é parte da diversão. Sinto que cresço como escritora todos os dias da minha vida. Se não estou melhorando, não estou fazendo muito como escritora. Acho que com o tempo, as coisas se tornaram mais pessoais, e continuo colocando meu coração pra fora e mostrando vulnerabilidade e isso não é fácil, mas sou muito sortuda de ter leitores incríveis que parecem querer continuar nessa jornada comigo e eu os amo muito por isso.

C: Você era um fenômeno literário aos 23 anos. Primeiro, isso me torna famosa por conhecer você? Segundo, você tem alguma dica para jovens escritores por aí?

A: Haha. Acho que sim? Eu não me considero famosa, mas gosto que você se sinta famosa porque você acha que eu sou famosa, haha.

Acho que o meu maior conselho é continue escrevendo. Mesmo quando estiver desencorajado, continue. Sua história merece ser contada e não há experiência ou educação que possam mudar isso. Tudo o que você precisa fazer para ser um escritor é ESCREVER. Não deixe ninguém te dizer algo diferente. Sua história é importante. Mesmo se apenas uma pessoa leia e se sinta afetada por suas palavras, você cumpriu o seu trabalho.

Não escreva para se tornar famoso, escreva porque você tem uma história para contar. Tudo se encaixa em seu lugar.

C: O que os fãs de After vão gostar em Stars?

A: Eles vão poder ver os personagens crescerem, assim como eles viram Hardin e Tessa. Gosto de escrever personagens que se desenvolvem, que você consegue ver todos os lados consegue encontrar um pedaço de você neles. Espero que eles consigam ver que essa história é tão pessoal quanto, mas em uma faceta diferente da vida. Estes são dois personagens diferentes, mas acho que eles vão amá-los (dedos cruzados).

C: Falando em After, você passou o verão filmando o filme. Alguma coisinha dos bastidores que você possa nos contar?

A: Hmmm…. não! haha Mas eu vou te contar que eu sinto saudades do elenco demais. Nós realmente nos tornamos uma família enquanto filmávamos e nós não poderíamos ter escolhido um elenco melhor para este filme. Hero e Jo são, honestamente, Hardin e Tessa perfeitos e você vão amar o filme!!! A química entre eles é louca!

C: Qual é a maior diferença entre escrever um livro e fazer um filme? 

A: Tantas diferenças! Eu amo os dois formatos. Eu aprendi muito enquanto trabalhava no roteiro de After e posso dizer que a maior diferença além do tempo, é que no filme, a não ser que você tenha um narrador, você não consegue traduzir monólogos internos, então tudo o que você quer dizer tem que estar nas expressões faciais, tons, locações. É fascinante de trabalhar e eu mal posso esperar para voltar ao set para o próximo projeto!

Tradução por After Brasil. Leia a entrevista original aqui.

EXCLUSIVO: Capa brasileira de “Stars” revelada!
POSTADO POR Douglas Vasquez EM 03.Oct ARQUIVADO EM:Séries Stars

Após o lançamento oficial de “The Brightest Stars” nos Estados Unidos, com o anúncio de uma edição exclusiva para a rede americana Target, em parceria com a Astral Cultural revelamos a capa brasileira da nova trilogia de Anna Todd!

O primeiro volume no Brasil será chamado de “Stars: As Estrelas Entre Nós”, assim como nos países pelo mundo e ganhamos uma capa incrível. Confira:

O lançamento do livro está planejado para o dia 6 de Novembro, mas as surpresas não param por aí.

Leia a Sinopse completa da história de Karina e Kael:

Karina conhece a realidade difícil da vida de um militar. E como qualquer um que cresceu em uma base militar, ela conhece o barulho que segue um soldado quando ele volta de uma guerra. É por isso que ela está fingindo a sua vida pacata em sua pequena casa. Mas ela não virou as costas para sua família. Ela é a cola que mantém todos juntos — quando seu pai foi dispensado, quando seu irmão, Austin, teve mais um conflito com a lei.

Karina sabe que ela tem que cuidar de si mesma, que nem sempre pode consertar o que está quebrado. Mas quando o comportamento de Austin piora e as reações de seu pai ficam cada vez mais extremas, Karina sente que está começando a enfraquecer. É quando ela o conhece — ele é um livro fechado do qual ela está desesperada para abrir.

Aos vinte, Kale é um lindo soldado lutando contra os efeitos colaterais de dois turnos no Afeganistão. Ele está emocionalmente quebrado e é muito fechado. Quieto não é nem o começo para descrevê-lo, mas Karina se acostuma com sua presença silenciosa, ela acha difícil ignorar a maneira como ele a faz se sentir. Em seu tempo juntos, ela encontra a calmaria que sempre quis e nunca havia encontrado. Ela abaixa a guarda. E ela deixa a si mesma preencher os espaços vazios sobre esse homem misterioso.

Mas ilusões facilmente criadas acabam se quebrando fácil também. É quando Karina deve encontrar sua própria coragem — para encontrar a verdade emaranhada nas mentiras e decidir o que irá fazer a repeito.

Você também pode ler o primeiro capítulo do livro clicando aqui.

Tradução exclusiva After Brasil.

Chicago Tribune: “Como uma nativa de Ohio trilhou o seu caminho até Hollywood”
POSTADO POR Douglas Vasquez EM 17.Sep ARQUIVADO EM:Anna Todd Entrevistas Livros Stars

Anna Todd é nativa de Dayton, Ohio de 29 anos e encontrou no Wattpad, um aplicativo de escrita social virtual, uma forma de se entreter entre seus empregos. Trabalhando em seu celular o dia todo, ela criou a Série After — cinco livros sobre Tessa e Hardin, uma história da “boa garota” que conhece o rapaz rebelde britânico. A sua fanfiction, cheia de amor por One Direction e Harry Styles, se transformou a história mais lida da plataforma com mais de 1,5 bilhões de leituras. Gallery Books publicou as edições físicas da história em 2014.

Quando perguntada para descrever seu estilo de escrita para uma pessoa que não a conhece, a residente de Los Angeles respondeu “ritmo rápido”, “dramático” e “muito conteúdo jove,-adulto angustiante”.

A sua carreira até agora chegou ao ápice em Agosto, quando ela esteve em Atlanta no set da adaptação cinematográfica de After, programada para ser lançada nos cinemas em 12 de Abril. Nós recentemente conversamos com Todd, que está lançando o 10º livro, “The Brightest Stars”, nesta terça. Com mais de 1,7 milhões de seguidores nas redes sociais, seus fãs podem esperar a história de Karina, uma massagista e filha de militar que cruza o caminho com Kael, um jovem soldado lidando com duas convocações ao Afeganistão. Essa entrevista foi editada e diminuída.

Chicago Tribune: Seu último livro é centrado no estilo de vida militar e estar casada com um veterano. O quanto de você foi refletido no livro?

Anna Todd: Acho que tem muito de mim nos dois personagens; mais nela, claro, mas não é em nenhuma forma autobiográfico, porque é um cenário completamente diferente e com pessoas diferentes. Mas definitivamente tem muita inspiração da vida militar. Eu sou casada com meu marido desde que eu tinha 18 anos, nós namoramos no ensino médio e ele foi para o Iraque três vezes — então tem muito de mim no livro e muitas das emoções de quando o meu marido foi convocado.

CT: Olhando para trás, você acha que se tivesse escrito outro tipo de fanfiction, seus livros teriam se tornado tão populares?

AT: Acho que nós nunca saberemos. Eu escrevi de um lugar dentro de mim que queria muito contar histórias, mas eu escrevia principalmente por ser fã. Eu amo fanfiction da One Direction e queria escrever uma, então não acho que eu jamais teria escrito se não fosse sobre eles.

CT: Você tem uma fã base grande em Chicago?

AT: Chicago é o lugar dos EUA onde tenho a maior base de leitores. Se eu pergunto aos meus leitores onde, nos EUA, eu deveria ir, Chicago sempre tem mais votos. As pessoas me perguntando, desde o começo, quando é que eu vou para Chicago? As minhas estatísticas de leituras no Wattpad é enorme em Chicago, é muito legal.

CT: Você criou o seu caminho até ser publicada. Você olha pra trás com medo agora?

AT: Quando eu estava escrevendo, eu não tinha ideia. Quando estava escrevendo, eu apenas pensava que estava fazendo aquilo por diversão. Eu não estava escrevendo para uma editora ou pelo modelo editoral, eu não pensava nisso, na verdade, mas de alguma forma deu certo pra mim. Eu sinto que manter o modelo editoral tradicional — onde você tem depende de um agente e envia seu manuscrito para 50 editoras e espera que uma delas goste de sua história — não vai se manter por muito mais tempo, porque sinto que leitura deveria ser uma democracia. A ideia de que um editor de alguma forma decide tudo o que nós teremos acesso é meio louco pra mim. É por isso que gosto do Wattpad, porque as pessoas decidem.

CT: Quem é a sua musa inspiradora?

AT: Eu amo contar histórias de primeiras vezes — primeiro amor, primeira experiência na faculdade, primeiro beijo, todas essas coisas. Eu me inspiro muito em músicas, mas é diferente com cada livro. Se você me perguntar o que acontece no final do segundo livro ou no fim da série, eu não tenho ideia. Quanto a “Stars”, enquanto eu pensava sobre o que iria escrever em seguida, esta história permanecia  comigo. Honestamente, acho que as minhas próprias experiências e apenas querer colocar tudo pra fora sem perceber que estou querendo colocar tudo pra fora.

CT: O que você espera que seus leitores levem consigo depois de ler qualquer um de seus livros? 

AT: Acho que quando eu leio uma história, ela muda alguma coisinha em nós, só um pouco. Eu quero que as pessoas mudem um pouco e espero que eu possa dar a elas uma forma de escape.

CT: Qual é o feedback de seus leitores?

AT: Normalmente, “você me fez amar leitura”, o que é sinceramente uma das minhas coisas favoritas de ouvir. Existem tantos pais, professores e bibliotecários que chegam até mim e dizem que vários jovens vão até eles pelos meus livros ou pelos clássicos que eu referencio em meus livros — o que é muito legal. No geral isso ou eles se apegam aos personagens porque eles parecem reais. Eu gosto de escrever personagens que parecem pessoas que eu conheço de verdade.

Nos Estados Unidos, “The Brightest Stars” tem lançamento marcado para 18 de Setembro, no Brasil, o livro será publicado pela Astral Cultural ainda em 2018.

Tradução por After Brasil. Você encontra a entrevista original aqui.

Confira trecho exclusivo de “The Brightest Stars”!
POSTADO POR Douglas Vasquez EM 04.Jul ARQUIVADO EM:Livros Stars

O USA Today divulgou através do portal literário Happy Ever After um trecho exclusivo do novo livro de Anna Todd, a ser publicado nos Estados Unidos em 18 de Setembro de 2018, de forma independente, e no Brasil, até o fim do ano pela Astral Cultural.

LEIA: Saiba tudo sobre “Stars”, a nova trilogia de Anna Todd!

UM

Karina, 2018

O vento sopra em toda a cafeteria toda vez em que a velha porta de madeira é aberta. Está estranhamente frio para Setembro e tenho quase certeza que é algum tipo de punição do universo por concordar em me encontrar com ele, hoje de todos os dias. Onde eu estava com a cabeça?

Eu mal tive tempo de colocar maquiagem nas olheiras inchadas embaixo dos meus olhos. E esta roupa que estou vestindo, quando foi a última vez que foi lavada? De novo, onde estava com a cabeça?

Agora mesmo estou pensando em como a minha cabeça dói e não tenho certeza de que trouxe ibropufeno em minha bolsa. Também estou pensando em como foi esperto da minha parte em escolher uma mesa próxima da porta, assim posso sair correndo, se precisar. Este lugar no meio de Edgewood? Neutro e nem um pouco romântico. Outra boa escolha. Estive aqui apenas algumas vezes, mas é o meu lugar favorito em Atlanta. As mesas são limitadas — tem apenas dez delas — então imagino que queiram encorajar encontros rápidos. Existem alguns pontos legais para o Instagram, como a parede cheia de suculentas e aquele detalhe em preto e branco atrás dos baristas, mas no geral, é um pouco rústica. Cinza escuro e concreto por todos os lados. Liquidificadores batendo couves-flor em um som alto ou qualquer outra fruta que esteja na moda no momento.

Apenas uma porta: uma forma de entrar, a mesma para sair. Olho para baixo para o meu celular e seco minhas mãos em meu vestido preto.

Será que ele vai me abraçar? Apertar minha mão?

Não consigo imaginar um gesto tão formal. Não dele. Droga. Estou me preocupando demais e ele nem chegou ainda. Pela quarta vez no dia, consigo sentir o pânico borbulhando em meu peito que me ataca toda vez em que penso neste encontro, ainda o vejo da mesma forma que o vi quando coloquei meus olhos sobre ele. Não tenho ideia de qual versão dele irei encontrar. Não o vejo desde o inverno e não faço ideia de quem ele é mais. E falando sério, será que eu soube algum dia?

Talvez eu apenas conheça uma versão dele — uma iluminada forma do homem que estou esperando agora.

Acho que talvez eu pudesse ter o evitado pelo resto da minha vida, mas a ideia de nunca mais vê-lo é pior do que estar sentada aqui, agora. Pelo menos consigo admitir isso. Aqui estou, esquentando as minhas mãos em um copo de café quente, esperando-o entrar por aquela velha porta depois de ter jurado à ele, à mim mesma, à qualquer um que pudesse ouvir pelos últimos meses que eu nunca…

Ele não vai chegar pelos próximos cinco minutos, mas se ele for um pouco como o homem que eu me lembro, ele vai chegar atrasado com aquela cara de irritado.

Quando a porta se abre, é uma mulher que entra. Seus cabelos loiros são como um ninho no topo de sua cabeça pequena e ela está segurando o celular contra sua bochecha avermelhada.

“Não dou a mínima, Howie. Dê um jeito.” Ela grita, desligando o telefone com um jorrão de palavões.

Eu odeio Atlanta. As pessoas aqui são todas como ela, o temperamento ruim e sempre com pressa. Nem sempre foi assim. Bem, talvez tenha sido; Eu não era, ao menos. Mas coisas mudam, eu costumava amar esta cidade, especialmente o centro. As opções para o jantar são de outro mundo e para uma pessoa apaixonada por comida vivendo em uma cidade pequena, bem, só isso já era motivo o suficiente para me mudar pra cá. Sempre existe algo para fazer em Atlanta e tudo está sempre aberto até mais tarde do que por Ft. Benning, mas o que mais me chamou atenção na época, foi que eu não era constantemente lembrada da vida militar. Sem camuflagem por todos os lados. Nada de uniformes nos homens e mulheres pela cidade, como a fila para o cinema, o posto de gasolina ou a Dunkin Donuts. Pessoas falando coisas reais, não apenas siglas e diversos cortes da cabelo nada militares para admirar.

Eu amava Atlanta, mas ele mudou isso.

Nós mudamos isso.

Nós.

Isto é o mais próximo que eu iria de admitir alguma culpa sobre tudo o que aconteceu.

DOIS

“Você está encarando.”

Apenas algumas palavras, mas elas invadem dentro e sobre mim, chocando todos os meus sentidos e todo o meu sentido. E ainda assim, existe aquela calmaria também, aquela que parece estar conectada dentro de mim em todo lugar que ele está. Olho pra cima, para ter certeza de que é ele, mesmo sabendo que sim. Logo então, ele está em pé na minha frente me encarando com seu olhar severo, procurando… algo remanescente? Queria que ele não me olhasse dessa forma. O lugar pequeno está, na verdade, lotado, mas não parece. Eu tinha esse encontro todo planejado, mas ele atrapalhou tudo e agora, perdi toda a coragem.

“Como você faz isso?” Pergunto a ele. “Não o vi chegar.”

Tenho medo de que a minha voz soe como se eu estivesse acusando-o de algo ou que estou nervosa — e isso é a última coisa que eu quero. Mas ainda me pergunto, como ele consegue fazer isso? Ele sempre foi tão bom com silêncio, se mover sem ser notado. Outra habilidade adquirida com o Exército, acho.

Eu faço um gesto para que ele se sente. Ele desliza sobre a cadeira e é quando eu noto sua barba cheia. Uma linha precisa sobre suas bochechas e seu maxilar coberto por pêlo preto. Isto é novo. Claro que é: ele sempre teve que obedecer os regulamentos. Cabelo deve ser cortado e totalmente aparado. Bigodes são permitidos, mas apenas se estiverem bem cortados e não estiverem crescendo sobre o lábio superior. Ele me disse uma vez que estava pensando em deixar crescer o bigode, mas eu o convenci a não fazer isso. Mesmo com um rosto como o dele, um bigode seria estranho.

Ele pega o cardápio da mesa. Cappuccino. Mocchiato. Latte. Leite puro. Preto. Quando foi que tudo ficou tão complicado?

“Você gosta de café agora?” Nem tento esconder a minha surpresa.

Ele balança a cabeça, “Não.”

Um meio sorriso aparece em seu rosto sério, lembrando-me da mesma razão pela qual eu me apaixonei por ele. Um momento antes era fácil desviar o olhar. Agora, é impossível.

Tradução livre por After Brasil. Credite, se replicar.

  • O trecho é quase o mesmo que já havia sido publicado no Wattpad há meses atrás. Você encontra esse e mais alguns capítulos em nosso perfil, traduzidos.
12/05/2018: Encontro de Afternators @ Saraiva Center Norte, São Paulo
05/12/2018: Encontro de Afternators @ Livraria Leitura, Campinas – SP
20/04/2018: Wicked Book Weekend @ Flórida, EUA
24/04/2018: FILBo @ Bogotá, Colombia
25/04/2018: FILBo @ Bogotá, Colombia
05/08/2018: 25ª Bienal Internacional do Livro de SP @ SÃO PAULO, BRASIL
LAYOUT POR : MELISSA S. & GABRIELA G. • SOME RIGHTS RESERVED AFTER BRASIL • HOSTED: FLAUNT.NU
COM